Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira: não passará!
Enviado por dedeco el Dom, 13/07/2008 - 19:58.
Vinte militantes da Via Campesina, MST e MAB e outros movimentos e
grupos que iam para um encontro na cidade de Ouro Preto D'Oeste, em
Rondônia, morreram em um acidente na estrada envolvendo o ônibus e uma
carreta na tarde do dia 11 de julho. A luta em Rondônia contra o Complexo
Hidrelétrico do Rio Madeira segue! Sentimos muito a perda dos/as
companheiros/as nesta fatalidade e nos solidarizamos com seus familiares e
amigos/as.
A construção das barragens de Santo Antônio e Jirau, integrantes do
Complexo, que vai alagar 50 mil hectares de floresta, vai retirar
aproximadamente 5 mil famílias que vivem e garantem sua sobrevivência das
margens do rio e causar um grande impacto ambiental. Esta retirada está
prevista até o dia 30 de agosto. As hidrelétricas vão também modificar
toda a região, causando inchaços e aumento do desemprego nas cidades e alterando a dinâmica do Rio
Madeira, afetando todos/as aqueles/as que vivem na região.
As multinacionais que estão a frente da construção das hidrelétricas na
região amazônica (Companhia Vale do Rio Doce, Banco Bradesco, Banco
Santander, Odebrecht, Votorantim, entre outras) vão, dessa maneira,
controlar os recursos energéticos mais baratos e, assim, poder utilizar
sua energia na extração de minérios, produção de alumínio, do aço e na
produção de papel e celulose que são indústrias que não geram empregos,
precisam de grandes subsídios do governo e causam grande impacto ambiental
nas regiões que se instalam. A região amazônica se torna estratégica neste
sentido já que concentra tanto um grande potencial de produção de energia
e de extração de minérios.
Projetos como o Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira são altamente
lucrativos para as empresas envolvidas. O financiamento de grande parte
das obras é feito com dinheiro público, podendo chegar até mais de 80% do
total, isentando as multinacionais de qualquer risco. Além disso, a
energia produzida é passada para estas empresas eletrointensivas (com alto
consumo de energia) a preço de custo, enquanto o restante é vendido à
população a um preço até oito vezes maior, garantindo os altos lucros, que
chegam a 3 bilhões de reais por ano, ou seja, R$500 mil por hora!
As Veias Abertas da América Latina
Os interesses na implementação de projetos de infra-estrutura deste
porte vão além da produção de energia altamente lucrativa. A construção de
barragens e hidrovias, linhas de transmissão de energia, gasodutos,
rodovias, permitem uma maior intensificação da exploração dos diversos
recursos naturais e da população da região. Nos últimos anos, diversos
projetos sob o discurso do desenvolvimento tem sido implementados em toda
a América Latina como o Plano Colômbia, o Plan Mérida, o Plan
Puebla-Panamá, o Pograma de Aceleração do Crescimento no Brasil, entre
outros. Todos estes projetos pretendem "integrar" as regiões da América
Latina, facilitando a acumulação mais intensa de capital por parte das
grandes multinacionais, às custas das terras, da maior exploração e do
deslocamento de milhares de famílias e do saque de recursos naturais.
Desde 2001, a Iniciativa para Integração da Infra-estrutura Regional
Sul-Americana (IIRSA), apresentada pelo Banco Mundial, prevê a
intensificação destes projetos em doze "eixos de desenvolvimento", criando
zonas produtivas multinacionais para as quais devem afluir investimentos
destinados a incrementar o comércio e criar cadeias produtivas conectadas
a mercados globais.
Estes projetos levados a cabo por grandes empresas, organismos
financeiros multilaterais e governos não deixam de ser uma resposta a uma
crise que já se inicia. Assim, desde a invasão do Iraque pelos Estados
Unidos em busca do controle de poços de petróleo, até o interesse na
produção de biocombustíveis (o que tem levado a enorme alta dos preços nos
alimentos básicos) e a dominação de territórios e seus recursos
estratégicos são indícios de que adentramos um período de grande crise do
modelo de desenvolvimento capitalista.
"Mas nada disso ocorre sem resistência. Estamos diante de uma batalha
de idéias, de territórios, de modos de vida e de concepções de mundo. Nada
está assegurado para a IIRSA. Nada está assegurado tampouco para o futuro
dos povos. Esta é uma história que está esperando ser escrita."
Territorialidad de la dominación: IIRSA. Ana Esther Ceceña,
Paula Aguilar e Carlos Motto.
Em memória dos companheiros falecidos nesta tarde de
sexta-feira, continuaremos resistindo!
Vídeo:: O Chamado do Madeira: a luta dos povos da Amazônia contra os megaprojetos (51 min, 344 MB) [para baixar, clique com o botão direito do mouse e escolha "salvar link como"] - http://videos.naxanta.org/ChamadoDoMadeira.ogg
Hidrelétricas no Rio Madeira: energia para quê e para quem? - http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/07/424297.shtml
A Amazônia: objetivo do império - http://www.mabnacional.org.br/textos/amazonia.htm
Megaproyecto: Conjunto de Sub-proyectos Complejo Rio Madeira - http://www.biceca.org/es/Project.Library.138.aspx
Territorialidad de la dominación: IIRSA - http://www.geopolitica.ws/leer.php/111
Movimento dos Atingidos por barragens - http://www.mabnacional.org/
original em www.midiaindependente.org
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